O termo FOMO, cada vez mais presente sobretudo entre jovens e utilizadores assíduos das redes sociais, é uma sigla para Fear Of Missing Out — que em português significa “medo de ficar de fora” ou “medo de perder algo”.
O FOMO descreve um sentimento de desconforto, inquietação ou ansiedade provocado pela perceção de que as outras pessoas estão a viver experiências mais interessantes, felizes ou gratificantes do que nós. Está profundamente ligado à necessidade humana de pertença, validação e integração social — necessidades humanas que podem tornar-se fonte de sofrimento quando amplificadas pelo mundo digital.
O fenómeno FOMO pode ser compreendido através de duas dimensões: (1) dimensão emocional caraterizada pela ansiedade, inquietação ou frustração ao sentir que os outros estão a viver experiências mais positivas ou significativas e (2) dimensão comportamental que se refere à necessidade constante de estar ligado às redes sociais como forma de aliviar essa ansiedade — através da verificação repetida de notificações, publicações ou mensagens.
O FOMO pode apresentar-se de diferentes formas no dia-a-dia:
• Verificação constante do telemóvel: impulso incontrolável de consultar as redes sociais ou notificações;
• Dificuldade em desligar do mundo digital: estar permanentemente online mesmo aquando da presença física de familiares e amigos;
• Comparação social frequente: comparações sociais negativas, tais como “os outros têm uma vida mais dinâmica e bem-sucedida”, “não sou suficientemente bom”, “não consigo aproveitar o momento”;
• Insatisfação com o presente: a exposição contínua a realidades editadas e idealizadas pode aumentar o sentimento de frustração com a própria vida;
• Dificuldade em dizer “não”: o receio de perder experiências pode levar a pessoa aceitar mais compromissos do que na realidade consegue dar resposta, o que culmina em estados de sobrecarga e exaustão.
Em suma, o fenómeno FOMO cria uma sensação constante de urgência — a necessidade de estar sempre presente, atualizado e disponível para tudo.
O impacto do FOMO na saúde mental.
Quando persistente, o FOMO pode ter consequências significativas na saúde mental.
A utilização excessiva de dispositivos eletrónicos associada ao FOMO pode aumentar a vulnerabilidade para perturbações de ansiedade, sintomas depressivos, baixa autoestima, problemas de regulação emocional, alterações do sono, problemas de atenção e concentração.
Estratégias para reduzir o FOMO
Embora seja um fenómeno comum na sociedade atual, é possível desenvolver uma relação mais saudável com o mundo digital. Algumas estratégias incluem:
✔ Estabelecer limites claros no uso do telemóvel
Definir horários específicos para utilização das redes sociais e evitar a sua utilização antes de dormir ou logo ao acordar.
✔ Promover um uso consciente das redes sociais
Questionar o impacto emocional de determinados conteúdos e selecionar de forma mais criteriosa as páginas e perfis seguidos.
✔ Cultivar o contacto com o momento presente
Práticas como mindfulness, meditação e/ou exercício físico podem contribuir para reduzir a comparação social e a auto-critica destrutiva.
✔ Definir prioridades pessoais
Clarificar valores e objetivos permite tomadas de decisão mais alinhadas com o que é realmente importante, reduzindo a necessidade de validação externa.
✔ Aprender a tolerar a frustração
Aceitar que não é possível estar presente em todas as experiências.
Quando procurar ajuda?
Se sentes que a tua ansiedade associada ao uso das redes sociais está a interferir com o teu bem-estar, relações e/ou desempenho profissional/académico, pode ser útil procurar apoio especializado.
A intervenção psicológica pode ajudar-te a trabalhar padrões de comparação social auto-destrutivos, regular a auto-critica, promover a autoestima e auto-confiança, desenvolver e/ou melhorar estratégias de regulação emocional e promover hábitos digitais mais saudáveis.
A equipa da Psiquiatria Positiva pode ajudar-te.